BARRANCOS … É CLARO QUE VAMOS VENCER O VÍRUS!
Não pretendia escrever sobre este tema, mas o facto de
vivermos num tempo influenciado negativamente pela pandemia, obriga-me a
recordar o nosso percurso histórico enquanto comunidade de gente indómita, que sobreviveu
ao longo de séculos a todas as vicissitudes que nos afectaram de forma dura,
por vezes trágica.
A propósito da pandemia, alguém disse que a memória dos
homens, é mais curta que a da História”.
Desde que temos conhecimento da nossa existência como
povo de fronteira, seja em Noudar ou Barrancos, a gente barranquenha soube
resistir a todas as adversidades que se lhe depararam no caminho.
Recuando até aos primórdios da nossa existência, e
segundo fontes credíveis, as epidemias de peste, destacando por ser a mais
mortífera a Peste Negra (séc. XIV), as de cólera (Cholera Morbus), as de tifo, de
varíola, as gripes de diversas estirpes, muitas delas ligadas às crises
alimentares, todas elas flagelaram as populações das localidades de Noudar e Barrancos
ao longo dos tempos, e testaram verdadeiramente a resistência, a vontade de
sobreviver dessas gentes, que apesar das adversidades perpetuaram o nome, e o
ser barranquenho.
Nesse percurso histórico, salientaram-se grandes clínicos
barranquenhos, que deram o seu melhor, no combate a estes males e na ajuda ao
seu semelhante, destacando entre outros o Dr. Isidro Pulido (reconhecido
internacionalmente), o Dr. Filipe de Figueiredo e o Dr. António Pelicano
Fernandes.
Hoje defrontamo-nos com a ameaça real do vírus SARS-CoV-2,
na pandemia de COVID 19, e corremos um perigo real perante o inimigo invisível
que nos espreita a cada contacto, em cada gesto, num mero afecto.
Que fazer perante algo que desconhecemos, esta não é uma
guerra contra um adversário identificado, “o bicho” foge-nos por entre as mãos,
e apesar da incerteza, da insegurança e do medo que sofremos, temos que estar
unidos e responder com coragem ao desafio que temos á nossa frente, ultrapassar
esta fase difícil das nossas vidas.
A gestão da pandemia ao nível nacional tem sido um
perfeito desastre, devido á aplicação de medidas erráticas e tardias, sem
qualquer vislumbre de estratégia, como habitualmente andamos sempre atrás do
prejuízo, com consequências nefastas para a nossa população.
E depois os exemplos pouco edificantes, dados por pessoas
que ocupam cargos públicos e deviam ser mais responsáveis, mas que se julgam
mais espertos que os outros, refiro-me evidentemente ao facto de se terem feito
vacinar á frente de grupos considerados prioritários…além de terem praticado
uma injustiça, não lhes fica bem!
Já perdemos um filho da terra, o Tio João Oliveira, a
cuja memória prestamos homenagem. Muitos de nós, das nossas famílias, dos
nossos amigos, já sofreram e alguns ainda sofrem os efeitos maléficos do indesejável
vírus, desejamos que os atingidos não fiquem com sequelas do mesmo.
Temos que resguardar-nos, dando assim seguimento ao excelente
exemplo de médicos, enfermeiros, pessoal do lar e creche, bombeiros e forças de
segurança entre outros, e com o nosso empenho defender o nosso semelhante,
todos os que nos rodeiam, familiares, amigos, conhecidos e toda a população em
geral.
Está pois na nossa mão, responder da melhor forma a tal
ataque traiçoeiro, e com a atitude responsável que deve prevalecer em todos
nós, dar a devida resposta colectiva, pois só assim venceremos!
Ontem como hoje, devemos demonstrar que é nas horas e
momentos difíceis, que os Barranquenhos fazem gala da sua união!
