PRESIDENCIAIS : ELEIÇÕES ATÍPICAS


A propósito de mais umas eleições presidenciais, em que até já se sabia quem iria ganhar, levantou-se um grande burburinho na onda do politicamente correcto, a insurgir-se face aos demais candidatos, e ao que poderia representar essa mesma votação.

Muitos anos depois do 25 de Abril de 1974, não imaginava ser possível esta crispação de alguns detentores da verdade, de figuras ditas públicas imbuídas de um radicalismo que já julgava ultrapassado.

Infelizmente vivemos numa sociedade em que não se discute abertamente, não se conversa, só se tenta impor a sua /deles opinião porque a dos outros não vale nada.

Alguns até dizem ter ”vergonha de ser alentejanos”, e que se vão embora só porque um determinado candidato teve mais votos, afinal o amor pela terra alentejana não era assim tão firme, resume-se a uma mera questão de interesses políticos. Outros nem sequer sabem o que dizem, mas quem paga é o Alentejo!

Se de facto defendemos a democracia, que é imperfeita, e que por vezes, como agora fica refém do Poder, através do caciquismo, das famílias e interesses comuns a esse grupo (não está tão longe o “Job for the boys”, do tempo do Primeiro-Ministro Guterres), dizia eu que se queremos viver nela, temos que banir todo e qualquer tipo de fundamentalismos, sejam de esquerda ou de direita, ou de que quadrante politico/ideológico fôr!

Só com a convivência entre todos, aceitando os pontos de vista dos outros, discutindo-os com fundamentação e sem falsos dogmatismos, conseguiremos aquilo que é suposto ser uma sociedade aberta e democrática, em que todos sem excepção tenhamos direitos e deveres, e saibamos cumpri-los.

Esta é a melhor resposta a todos os que ainda não perceberam o perigo que representam os extremismos, seja de que índole for, até porque nós em Barrancos em 1936, soubemos dar o exemplo de convivência e solidariedade, com o acolhimento dos refugiados espanhóis sem olhar a que bando pertenciam, e tal como escrevi na apresentação do livro da nossa amiga Dulce Simões, “Barrancos na Encruzilhada da Guerra Civil de Espanha:

“Foi na Guerra Civil de Espanha, essa luta fratricida em que sem olhar ás ideologias e aos lados beligerantes, e enfrentando a oposição do poder vigente à época em Portugal, foi activa e solidária na ajuda desinteressada aos refugiados.”

Refiro-me exactamente aos Barranquenhos dessa época, que souberam lutar contra a intransigência!

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