"PRIM EM BARRANCOS / QUADROS DA NOSSA HISTÓRIA"
Tal dia como hoje, mais concretamente a 20 de Janeiro de 2016, a Câmara Municipal de Barrancos, a que eu tinha a honra de presidir, organizou e realizou uma sessão comemorativa dos 150 anos da entrada e apresentação do General Juan Prim y Prats, solicitando asilo politico às autoridades de Barrancos.
Com o Salão Nobre do Município cheio de interessados ouvintes, a mesa era composta por mim na qualidade de anfitrião e estudioso na matéria, pela antropóloga Prof. Dra Dulce Simões e pelo general Adelino de Matos Coelho, que dissertaram cada qual na sua área específica.
Como testemunho para a posteridade, e ficar expressa a nossa homenagem a todos aqueles que foram actores vivos daquele episódio histórico, foi descerrada no átrio da Câmara uma placa comemorativa do acto.
Foi uma página importante da História de Barrancos que se reviveu, acrescentando mais conhecimento a uma faceta pouco conhecida da nossa vivência enquanto comunidade de fronteira.
Tal dia como hoje, precisamente a 20 de Janeiro de 1866, pelas três horas da tarde o General Prim após ter transposto a fronteira, apresentava-se ao Administrador do Concelho de Barrancos Manuel Cláudio Pulido, solicitando asilo político à Nação Portuguesa através da aurtoridade local, bem como entregando "todo o armamento, cavalos com seus arreios e mais...", seus e do seu exército, pertencentes ao Reino de Espanha.
Para trás tinham ficado Encinasola e o caminho que atravessa a Ribeira do Múrtiga e o Arroyo Valquemado, numa distância de cerca de duas léguas, percurso este bem mais longo que tinha começado em Villarejo de Salvanés ( local em que abortou o pronunciamento/intento de revolta contra Sua Majestade Católica Isabel II ). Com as tropas leais à rainha no seu encalço, Barrancos significou para Prim e seu exército, a salvação, sabendo que era muito usual na época os chefes/caudilhos das revoltas pagarem com a própria vida.
Prim, um lider nato, uma figura da História de Espanha, militar e político controverso que marcou uma época, um revolucionário que perseguia o melhor para a sua Pátria, chegando a ser Presidente do Governo em 1868, aclamado por muitos, mas invejado e odiado por outros, acabou por morrer três dias depois de sofrer um atentado na Calle del Turco em Madrid, na tarde de 27 de Dezembro de 1870.
Observação: Já antes da sessão comemorativa, tinha efectuado a transcrição fiel de uma cópia do Auto de Apresentação do General Prim, ainda que sofrendo de algumas inexactidões face à verdade histórica, e que foi publicada no Boletim Municipal de Dezembro de 1995.
