O DIA EM QUE BARRANCOS VENCEU O ESTADO
Para todos os efeitos legais e no que respeita à consagração do Direito a manter as nossas tradições ligadas à tauromaquia, será a data de 31 de Julho de 2002 que ficará como marco importante na História da minha terra, Barrancos.
Foram muitos anos de luta, de algumas desilusões face à atitude de muitos dos deputados com assento na assembleia da República, mas de mais conquistas, até à vitória final!
Passadas mais de duas décadas, sentimos que valeu a pena lutar por aquilo em que sempre acreditámos, sabíamos que a razão estava do nosso lado, que tínhamos que preservar o legado de tantos Barranquenhos que nos antecederam, que a essência de um Povo é a sua cultura, os seus costumes e as suas tradições, e que tem o Direito de afirmar a sua diferença cultural perante os ataques externos de quem não sabe o que é viver em democracia e respeitar os direitos dos outros, neste caso da população de Barranquenha.
Foram ataques soezes, muitos mascarados de legalidade, as inúmeras Providências Cautelares e Processos Judiciais contra nós, as mentiras e notícias falsas tendentes a desmoralizar-nos, as ameaças de bomba em nossa casa, a tentativa de manifestações provocatórias na nossa terra, as leis feitas à medida contra nós pelos governantes de então, como a célebre Lei das Coimas/Multas do ministro Fernando Gomes.
Foi um período difícil esse de 1997 a 2002, mas nós não desarmámos, enfrentámos o toiro da intolerância, soubemos ser firmes e unidos com uma liderança forte personificada no Presidente da Câmara e numa grande equipa que o secundava, afinal não era só eu, era a alma Barranquenha dos grandes e difíceis momentos que se manifestava perante a ameaça de quem queria tirar-nos o que já era nosso.
Fizémos manifestações frente á Assembleia da República, realizámos cordões humanos com a participação de toda a população de Barrancos desde o Celeiro à Praça da Liberdade, tivemos debates televisivos e radiofónicos além de inúmeras entrevistas a defender a nossa causa, contactámos uma infinidade de vezes os Grupos Parlamentares sensibilizando-os a apresentar projectos em defesa das nossas posições, defendemo-nos de todas as Providências e Processos contra nós movidos pelas associações animalistas, tivémos reuniões a seu pedido com o Secretário de Estado Dr.Armando Vara, com o Ministro da Administração Interna Dr.Jorge Coelho e com o próprio Presidente da República Dr. Jorge Sampaio no Palácio de Belém, mas nunca vergámos!
Soubémos manter bem viva a chama da nossa razão, nunca desistimos ("que nunca por vencidos se conheçam" é o meu lema), resistimos, fomos acutilantes na defesa dos nossos valores e, por fim ganhámos - era a nossa meta, o nosso desiderato, o reconhecimento da nossa realidade cultural agora finalmente consagrada através da Lei Nº19/2002, de 31 de Julho, da Assembleia da República, após votação de um Projecto de Lei conjunto apresentado pelo CDS-PP/PCP e PSD, aprovado em 11 de Julho do mesmo ano, pela grande maioria dos Deputados destes partidos e por apenas cinco Deputados do PS (entre os quais se contavam o Dr. Manuel Alegre e o Dr.José Vera Jardim), sendo então Presidente da Assembleia da República o Dr. João Bosco Amaral, Primeiro Ministro o Dr. José Manuel Durão Barroso e Presidente da República o Dr. Jorge Sampaio.
Nesta efeméride tão significativa e importante para Barrancos, não poderia deixar no esquecimento alguns daqueles que sempre estiveram do nosso lado (infelizmente muitos já nos deixaram), e muito contribuíram para a vitória da nossa causa, pelo que devemos estar-lhes gratos!
Correndo embora o risco de esquecer alguns, quero destacar o importante papel na defesa da nossa Causa dos Deputados à Assembleia da República, António Rodeia Machado e Telmo Correia; dos Eurodeputados Dr.Sérgio Ribeiro, Dr.Joaquim Miranda e Dr. José Ribeiro e Castro; do especialista em Direito Administrativo Prof.Dr.Diogo Freitas do Amaral; do Dr.Júlio Castro Caldas (então Bastonário da Ordem dos Advogados); do Jurista Dr.Teixeira da Mota; do Prof. Dr. Casalta Nabais da Universidade de Coimbra; do Arqueólogo Dr. Claudio Torres; dos Cte.Geral da Guarda Nacional republicana - General José Manuel Viegas, Major Costa Cabral e Capitão Rui Miguéns e Comandantes do Posto da Barrancos também da GNR; do então Cte. do Regimento de Infantaria nº3 de Beja, Coronel Adelino de Matos Coelho; do jornalista e comentador Dr. Miguel Sousa Tavares; dos Jornalistas Dr.Baptista Bastos, Dra.Helena Matos, António Mega Ferreira, e Amilcar Matos; do Prof.Universitário Dr. Luis Capucha; do Dr. Francisco Moita Flores; do Fadista Nuno da Câmara Pereira; do Veterinário e critico taurino Dr. Domingos da Costa Xavier e tantos outros.
Justo é também enaltecer o trabalho de todos os autarcas, jurista e funcionários da Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Junta de Freguesia que comigo trabalharam, o meu reconhecimento também vai para os Presidentes de Câmara do nosso Alentejo e do Portugal inteiro, bem como a todos aqueles que dentro e fora do País (recordo com gratidão a Alcaldeza Reyes Márquez e o Alcalde Antonio Terrón de Encinasola/ Espanha) nos apoiaram activamente, recordamos também o nosso saudoso Padre Agostinho Antunes dos Santos que sempre esteve connosco, o precioso trabalho e dedicação das diversas Comissões de Festas, e finalmente quero destacar a atitude e a firmeza do meu Povo, Barrancos, que mesmo nos momentos mais difíceis soube unir-se na defesa do seu direito à Diferença e consagrar a sua Tradição Cultural ligada aos toiros!








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