INÉZ VÁSQUEZ INFANTE - A Barranquenha que conquistou PUEBLA DE LOS ÁNGELES/MÉXICO

"BARRANCOS, CUNA DE INÉS: Inés fué una mujer proveniente de una pequeñisima comunidad llamada Barrancos que actualmente pertenece a Portugal pero que en el siglo XVII formaba parte de Castilla La vieja. Em 1752, Pedro Murillo Velarde describe el Reino de Portugal en su lado oriente que "confina con el Reyno de Leon que oy llamamos yà Castilla la Vieja con Extremadura, y parte del Reyno de Sevilla... (Murillo Velarde, 1752:338). 
Barrancos pertenece a la cuarta región llamada Alentejo...". (Murillo Velarde, 1752:346)


             


Reportemo-nos ao século XVII em que decorre a história: Inéz Vásquez Infante nasceu em Barrancos em 1601(segundo o seu testamento de) no seio de uma familia abastada na qual se tinha em grande valor a educação da mulher, numa época em que Portugal estava sob dominação castelhana desde 1580, sendo que Barrancos como terra de fronteira e sujeita a ocupações alternadas dos dois países durante a chamada Guerra da Restauração,  só passaria a ser  território português em 1668 pelo Tratado de Lisboa, que consagraria definitivamente as fronteiras entre os dois países.

A barranquenha Inéz, filha de Juan Rodriguez e de Maria Inéz Vásquez de Rivera residentes em Barrancos, casaria depois presumívelmente na cidade de Cádiz com Juan Borja y Gandia, natural de Estrella, Reino de Navarra (presume-se que teria parentesco com San Francisco de Borja - Duque de Gandía, depois Superior da Ordem dos Jesuítas e grande incentivador das missões na América Latina). Nesta cidade portuária do sul de Espanha, viveriam alguns anos, dedicando-se ele á actividade tipográfica e á gravação, mas o desafio do Novo Mundo era mais forte e acabaram por rumar à "Nueva España", concretamente à cidade de Puebla de Los Ángeles no México, uma das mais importantes e dinâmicas cidades  no continente americano. Aqui se radicaram e estabeleceram uma empresa dedicada à arte tipográfica e da impressão bem como ao comércio de livros que vinham de Sevilha, sendo que a mesma dirigida pelo chefe da família, pouco a pouco e apesar das dificuldades, acabou por ter êxito.

Com o falecimento do marido em 1650, Inéz tomou a direcção do negócio familiar e fruto da sua formação privilegiada e capacidade de empreendedorismo conseguiu a sua expansão, afirmando-se como uma mulher pioneira nesta área, dinamizando a industria livreira, tipográfica, de gravura e impressão de livros , documentos e sermões, apesar do crivo a que sempre esteve sujeita por parte do Santo Ofício da Inquisição. Nessa primeira fase de máxima responsável da empresa, assinava as suas obras como "Viuda de Juan de Borja y Gandia", só posteriormente a partir de 1662 assinaria o seu próprio nome nas obras que imprimia, o que lhe acrescentaria prestígio no seio da sociedade de Puebla De Los Ángeles, realçando que Inéz trabalha ininterruptamente de 1656 a 1682, falecendo a 6 de Dezembro de 1686, e deixando um importante legado não só aos seus filhos, mas também á comunidade poblana a que dedicou grande parte da sua vida.


                    


A título de exemplo, em 1666 referimos um documento do Duque de Albuquerque em que o mesmo lhe faz um pedido: «Inés Basquez Ynfante, ynpresora de libros en la Puebla de los Ángeles para que ymprima las obras que en el se refieren»

Os seus descendentes: Juan de Borja Infante (continuador da obra de seus pais); Francisco de Borja Infante (monje franciscano); Maria de Borja Infante (casada com o capitão Manuel  de Correa, de Évora); Luisa de San Joseph Borja Infante (monja clarissa e Sebastián Borja Infante (que morreu nas Ilhas filipinas), foram figuras importantes na sociedade local e regional, mas o que se destaca é a figura ímpar desta mulher culta e avançada para a sua época, que apesar dos preconceitos de uma sociedade conservadora em que o homem prevalecia, soube afirmar-se e demonstrar a sua valia e estatuto social na cidade, perpetuando a memória das idéias culturais, religiosas e políticas da urbe poblana, nunca renegando as suas origens, e levando isso sim, o nome de Barrancos para aquelas longínquas paragens americanas.

Concluimos que em Barrancos não houve só grandes homens, mas também mulheres eminentes e empenhadas nas suas empresas, excelentes naquilo que construíram e foi o sonho e ideal da sua vida, como cabalmente o demonstrou Inéz!

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