A DIGNIDADE NO RITUAL E NOS TRAJES TAURINOS, NA FÊRA DE BARRANCOS
Na grande maioria das vezes nas Festas de Barrancos sempre os diestros, ou novilheiros vinham de Traje de Luces, dando o colorido e a verdade através da sua indumentária, do seu trajar distinto, inclusivé quando da chamada "Polémica dos touros de morte" nos anos de 1997 a 2002 (data da consagração da Excepção para Barrancos), mas também nos anos anteriores e posteriores (pensamos que até 2017), eles vieram sempre trajados a rigor, dignificando a nossa Fêra, porque fazia, e deve continuar a fazer, parte do ritual que deve presidir à celebração taurina barranquenha.
Sim porque a corrida/ tourada à barranquenha não deve ser considerada como qualquer Garraiada, Festival Taurino, Novilhada, Capeia, ou Corrida Integral, mas sim como Corrida/ Tourada diferente e muito nossa, isto por não contemplar todas as sortes do toureio regulamentado e não ser efectuada num redondel, contemplando apenas os Tercios de Capote, de Banderilhas, culminando na sorte suprema com a estocada final.
Não tem a Sorte de Varas, por não ser da tradição e depender da estrutura Praça/ Tabuados cuja origem se perde no tempo, mantendo o carácter popular, mas observando os cânones do toureio em si, com a morte do touro, o que lhe confere toda a originalidade e autenticidade.
Ultimamente temos assistido a um crescendo na utilização do Traje Corto andaluz pelos diestros, o que retira à faena, brilho e autenticidade.
Não estará em causa o valor, a arte e a genialidade dos artistas/ toureiros, talvez seja mais fácil e económico este vestir, mas na nossa opinião esta mudança não deveria ter acontecido porque lhe retira toda a verdade, essência e magnetismo que prende todos aqueles Barranquenhos, amigos e forasteiros que assistem às nossas corridas.
Pensamos que as nossas Comissões de Festas deveriam considerar este alerta e ponderar esta questão, que é deveras importante para o futuro da nossa Fêra.
Dar grandiosidade, emprestar-lhe colorido e qualidade às Festas de Agosto, é nosso dever e é contribuir para a preservação das mesmas.
A Tourada de Barrancos é diferente, única com todos os integrantes presentes na Praça, com os Tabuados a conformarem o espaço e a arquitectura singular da mesma, com um público entendido e participante no espectáculo, com os toureiros que executam por vezes faenas/ obras de arte impossíveis atendendo às dificuldades do albero/ espaço em que decorre a corrida.
E como não, com a figura principal o touro, que no rectângulo que medeia entre o tabuado da Torre do Relógio e o da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (a nossa Padroeira que dá o nome à Festa), mostra toda a sua bravura, permitindo a explosão de entusiasmo e alegria taurina que contagia todos os presentes e faz cumprir o ritual que cíclicamente se repete ano após ano, reforçando a nossa Identidade cultural, a nossa coesão social e tornando a nossa Fêra única, o orgulho de todos os Barranquenhos!
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