GENERAL PRIM - UM ILUSTRE EM BARRANCOS
Relembrando a apresentação e pedido de asilo do General Juan Prim y Prats, e a sessão comemorativa de tal episódio que teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Barrancos, em 20 de Janeiro de 2016, e contou com a presença do General Adelino de Matos Coelho e da Antropóloga e Investigadora Prof. Dra. Dulce Simões.
Como anfitrião e moderador na sessão, na minha apresentação da efeméride pronunciei umas breves palavras alusivas ao acto:
"Numa altura em que se comemora o bicentenário do nascimento do General Prim, nascido em Réus (Catalunha) no dia 6 de Julho de 1814, e em que envolto em polémica e mistério se discute o atentado, ou magnícidio que o vitimou em 27 de Dezembro de 1870, na Calle del Turco (hoje Calle del Marqués de Cubas) em Madrid, sendo Presidente do Conselho de Ministros, e quando regressava do Congresso à sua residência.
Aqui e nesta sessão, queremos prestar uma pequena homenagem ao insígne militar e político, que dominou a vida política política espanhola de então, militar prestigiado e herói da Guerra de África (1859-1860), principal responsável pela "Revolução Gloriosa" de 1868, que instaurou um novo regime político em Espanha, eis-nos aqui relembrando a sua apresentação ao Administrador do Concelho de Barrancos, Manuel Cláudio Pulido, naquele longínquo dia 20 de Janeiro de 1866.
Na minha apresentação salientei a importância da História e da Memória na construção da Identidade e da Solidariedade que sempre presidiu ao sentir da Comunidade Barranquenha, perante os vizinhos espanhóis, neste caso do pedido de asilo político do General Prim, como o já tinha sido em episódios anteriores e o foi posteriormente.
Fica a pergunta, porquê a vinda para Barrancos?
Se calhar a resposta pode ser dada com outras perguntas...porquê os castelhanos de 1493 provenientes de Encinasola, Fregenal, Cumbres e outras terras próximas vieram para a nossa vila e se afirmaram portugueses; porquê os refugiados andaluzes das invasões francesas em 1812 vieram para Barrancos e por cá ficaram; porquê os refugiados da Guerra Civil espanhola de 1836, procuraram refúgio e a salvação em Barrancos?
No fundo com estes episódios da nossa História, renova-se a nossa coesão social e afirma-se uma Identidade Cultural Raiana muito forte!
Não é por acaso, nem sequer é um lugar estratégico, mas é um sítio de encontro, de culturas e de acolhimento sem olhar a quem. É isto que nos define como Barranquenhos!
AUTO DE APRESENTAÇÃO:
Aos vinte dias do mês de Janeiro de 1866, pelas três horas da tarde do mesmo dia, nesta vila de Barrancos perante o Administrador do Concelho Manuel Cláudio Pulido, compareceu o Ilustríssimo D.João Prim, Conde de Reus, Marquês de los Castillejos e general do Exército Espanhol, acompanhado do Brigadeiro D.Lourenço Milano; do Auditor de Guerra D. Francisco Monteverde; do Coronel D.José Merelo; do Chefe do Estado Maior D. Manuel Pavía; do Tenente Coronel de Infantaria D.Bernardo del Amo; do Comandante D. Julião Belardo; do Capitão D. António Candalija; do Tenente D. João Infante; do Alferes D.João Navarra; do 1º Oficial da Administração Militar D.Jerónimo Torero; do Sargento D.Julião Langa e do Tenente Coronel D. Manuel Sanchez de Fuente Casamaior; e foi lido pelo mesmo dito á referida autoridade que vinha pedir ao representante da Nação portuguesa a sua hospitalidade que por tratados entre ambas as Nações o facultavam, fazendo entrega à referida autoridade (Administrador do Concelho de Barrancos) e como fiel depositária de S.M.C. (Sua Majestade Católica, Isabel II de Espanha), de todo o armamento, cavalos com seus arreios e mais...
O dito Administrador em nome da Nação representada na sua autoridade concede a hospitalidade solicitada, ficando depositário de todas as armas, cavalos e demais entregas.



